quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Short Clip


"Pagamos pelas ideias dos nossos antepassados.

Ideais de revoluções sexuais, de liberdade de expressão e tolerância. Ideais que agora devemos ás vozes que nos oprimem, essas vozes que violam os direitos humanos em nome de culturas destrutivas e unifocada em regimes que temos de tolerar... de compreender.

Cospem na nossa dignidade humana, em nome de conceitos de decência pré históricos e cegos... mas nós tolerantes recebemos os infindáveis ataques que nos custam vidas, com meias medidas de razão e sorrisos.... e sorrisos...

Com aquela definição de ética que nos falha no concreto."

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Pain I can't get enough


Doí ...
Não apenas o que já deviam saber e não sabem, mas também o que me testam.
“Se a carapuça serviu!”
Não não serviu, mas parte-me a alma sequer teres de experimentar, o não perceberes que não era capaz de fazer o que me fizeram... o fazer alguém sofrer o que eu sofri.
Doí...
Ter tido a decência que não tiveram comigo e mesmo assim ser julgado e crucificado por meias palavras sedutoras que vos disseram.
Puta vira mártir, no entanto o pecador continuo eu.
Retiram pedaços de mim que não devolvem, e vêm-me cair sem qualquer sentimento.
Tornam-me me frio, queiram depois o meu perdão.
Na frieza que me abandonam perco o sentir, tanto o meu como o vosso, congelado no gelo que me atiram á face.
Amizade perdida no não falar que idolatram.
Alma presa no desejo que não queria sentir mas me consome.
Apoiada pelos que nada devem, abandonada pelos que ama.
Quanto ao desejo que sinto, vou senti-lo como se não me condenassem.
Ignoro-vos porque escolheram ignorar-me a mim.
PM.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Desire


Já tinha saudades do sabor a sal na boca, do sentir queimar na pele.
Aquela visão paradisíaca permanecia imutável, apenas eu envelhecia, desgastado por 21 anos de loucura e descoberta.
Naquele refúgio sozinho com as minhas vozes e com o sol no corpo rejuvenescia de novo, despido de qualquer preconceito, desinteressado de qualquer confusão humana.
O barulho das ondas nas rochas embalava-me e permanecia semi-acordado falando comigo mesmo, a praia era apenas minha, um mundo só meu.
Sonhava com crianças que corriam de mão dadas e sorriam despreocupadas, não existia mundo para além delas, o que eu tinha saudade disso, dessa liberdade que só ali agora conseguia. Nem a fome de cigarros me perturbava.
Corro para a água com a prancha como quem corre para os braços de uma amante perdida, límpida e quente acaricia-me o corpo como se me esperasse.
Durante segundos esqueço o mundo, esqueço as minhas vozes e o meu corpo é bombeado por uma sensação de adrenalina única!
Depois do clímax de liberdade volto a toalha quase cambaleando, já não tinha a resistência de surfista e num acto de loucura grito a plenos pulmões!
Recupero o folgo e o vício do tabaco já me inquieta, relaxo encostado enquanto fumo e os meus olhos deparam-se com o teu corpo nu correndo na praia, deusa grega que se aproxima na minha direcção. Penso em vestir os calções mas decido ignorar o pensamento racional, estava na minha zona de liberdade não ia abdicar disso.
Fecho os olhos e descontraio, mas a tua sombra rouba-me o sol.
Olho para cima indignado, mas o tom escuro da tua pele e a beleza exótica dos teus olhos rasgados roubam-me a expressão.
Dizes algo mas não consigo distinguir, cada centímetro do teu corpo esculpido na perfeição ocupa a minha total atenção.
Pedias-me para surfar, mas o teu corpo pede-me para ser tocado, como se conhecesse cada tecla de ti, cada som que vai fazer.
Tento controlar o desejo e ele ruge dentro de mim revoltado, tinha de te sentir, de te afinar á minha melodia animal.

Fizeste daquele meu refúgio espaço de loucura e desejo.
Wolf

domingo, 17 de julho de 2011

Melodias de mim


So me apaixono por quem não posso, por quem vocês não apoiam …
Reduzem a minha escolha à vossa vontade.
A cada ultimo beijo dele senti o toque da saudade.
Não me posso apaixonar já percebi… não me deixam voar, mas ignoro.
Luto mesmo contra vocês, se luto contra a minha própria razão como me pedem ser mais ?
Falta de apoios? Não é novidade amores e vocês sabem no bem!
Sabem que o gosto a amargo para mim já se tornou doce .
Sabem-no melhor que ninguém e mesmo assim abstêm-se , obrigam-me a provar dele de novo.
Como se dele já não tivesse saciado...
Queimem-me de novo, o hàbito acalma a dor.
O prazer de te ter comigo suplanta a razão e suplanta quem não me consegue apoiar, quem diz caminhar comigo e me deixa a passos calados.
Compreendo-os mas concordar com eles ? Não consigo, com ou sem razão mereço mais que considerações relacionais.
Busco a minha felicidade, vivo a minha vida, tenho o meu pesar e a minha virtude.
Quem não me quer, que esteja fora.
Quem me quer alegre-se pois caminhamos de mãos dadas, caminhamos em uníssono.
Breve melodia.

PM

quinta-feira, 30 de junho de 2011

cenas




Salto para o ar sobressaltado!
Não foi nada apenas um pesadelo, repito vezes sem conta até o cérebro acalmar...
Lavo a cara e ligo o mac com musica a rasgar os ouvidos e o cérebro, estava na hora de acordar a besta adormecida.
Olho para o telemóvel e vejo 10 chamadas não atendidas e 3 sms e deixo-o intacto na mesa suja de cinza.
“Hoje o dia não é vosso é meu.” – penso para mim mesmo olhando a nuvem de fumo da noite passada que ainda me sufocava o quarto.
Visto o estilo “ I don’t give a fuck ” e saio de casa para encontrar-te, não sei onde vou mas não quero estar com ninguém do custume, não quero ir aos cafés habituais nem dar asas a uma rotina que se estava a formar á minha volta.
Quero ver se sempre me encontras quando quero fugir, se sabes onde paro quando não quero pensar.
Chego á esplanada do miradouro e sento-me observando Lisboa, perdido no café com gelo e no meu cigarro nem me dou por tu te sentares.
Levanto a cabeça...
“Que fazes aqui” – digo distraído.
“Vim ver-te, sabes que sei sempre onde estás mesmo quando queres fugir cabrão!” – dizes-me ironicamente sorrindo.
“Só estas cá quando não te quero, quando preciso nem vê-la. “– respondo a enrolar mais um daqueles que me expande a mente.
“Também quero”– dizes-me num salto! – “E só precisas de mim quando sabes que não posso estar, quando te quero rejeitas-me tipo pastilha mascada!”
Dou-te para acenderes com aquele desdém ainda a notar-se enquanto vamos para a relva a passos lentos.
“Escusas de estar tão revoltado comigo, Sabes que te amo mas tenho um mundo á minha espera! Tenho uma vontade insaciável de descoberta e se não fosse assim nem olhavas para mim! “ – mandas-me á cara, e puxas o cabelo longo preto para trás como sabes que sempre apreciei.
Estavas certa mais uma vez e não te queria deixar voar... queria-te só para mim, egoísmo sem cura quando se tratava de ti.
“Por mim vai descobrir o que quiseres, não és a única a querer andar sem matilha.” – digo-te engolindo a vontade.
Sabes tão bem como eu que a paixão do meu coração se centra na impossibilidade, na incompatibilidade que nos impede de socializar e sair juntos.
Deitas-te sobre o meu peito fazendo o meu coração acelerar e passados alguns minutos a minha mente expande-se.
“ Como sabes sempre onde estou? “ –pergunto
Silêncio, dormias já de forma profunda e não te queria acordar. Queria aproveitar os poucos instantes em que te tinha.
Desviei a tua cabeça e coloquei-te delicadamente sobre a mala. A visão de ti ali frágil era contra a tua natureza e sabia que não ia durar.
“ Tive de ir, depois encontras-me de novo!” – rabisquei num papel enquanto abalava
Fugi para não te agarrar, Fugi para não me culpar de não conseguir cuidar de ti como mereces.
Fugi porque sei que por mais que te ame no momento, amanha já não vou cá estar, neste sentimento que me foge pelas mãos.
Neste medo de me comprometer.
Nesta vontade de me libertar, que nem a ti perdoa.

terça-feira, 28 de junho de 2011




Perco a imaginação.

Perco-me as vezes tanto numa vastidão de ideias que me esqueço de como expressar. Bloqueia-me tanto sentir.

Tento não pensar, não absorver pensamentos complexos.

Tento ser simples... acima de tudo pensar menos e ser mais básico e feliz por estupidez, enganado em mim mesmo.

Sufocam-me as ideias e fico com o pulso preso, não permito ao corpo sentir mais ou pensar, paralesia total.

Imensidão que me acolhe e me permite recuperar.

Espaço que não consigo abdicar...

PM

Jogos


O teu odor indignou-me, cheiravas a uma mistura de pecado original com luxúria...
Fazias o teu ritual de dança egoístico onde te abstraias de todo o mundo e te elevavas a cima e foi quando me vi perdido em ti pela primeira vez.
Trocas de olhar suaves e estava feito... tinhas-me na palma da mão, envolvido nos teu lábios mortais.
O meu corpo há muito que desesperava por um desafio, uma lembrança do que era ser predador... e reduzes-me assim a presa!
Derrotado e no chão, frustado ! Até que me acenas...
Volta o jogo da sedução... toques prolongados, olhares provocadores e conversas mentais!
Tento ficar por cima, parecer ter a lábia toda do mundo para me desarmares tipo principiante...
Quando me dou por rendido, ris e segues para o próximo desafio.
Sozinho lambo as feridas e volto á reflexão.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Tentativas



Tento ser vil, banal e reduzido ao desejo carnal , feito de hormonas que o corpo animal liberta, mas falho...
Terei mesmo de escutar o remorso desta consciência bipolar que me assombra quando tantos a ignoram?
Nasci desprovido desta arte de me enganar, esta arte que me parece partilhada por tantos outros que a dominam tão bem....
Arte que reduzo a falta de senso numa tentativa frustrada de me sentir bem... melhor que a multidão... ser mais do que o elemento desajustado que sou.
Tentativa óbvia de ser especial nesta minha incapacidade.
Temo ser tão menos do que me imagino, temerei de tal maneira que arranjo desculpas para uma especialidade inventada ?
Sinto coragem por lidar com o medo diário, e ao mesmo tempo fraqueza por senti-lo todos os dias, por não o conseguir negar ou apagar.
Este ser bipolar, esta dualidade que me deixa sem resposta, um dia será a base do meu fim...

O início da minha insanidade sem retorno.
Aquela da qual não irei voltar, aquela realidade onde serei príncipe do meu mundo...
PM

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Querer


Não quero chorar... juro que não quero!

As lágrimas começam a escorrer, limpo compulsivamente a cara mas elas teimam no meu querer.

Quero que me roubes o folgo nesse teu abraço, sacia-me esta falta de ti !

Nas minhas células células predomina esta avidez de te querer.

Penso novamente na distância e engulo a vontade c sabor salgado das lágrimas que me escorrem.

Sorrio a olhar a janela... deveras espanta-me a minha bipolaridade, ora choro por não te ter, ora me alegro por pouco faltar para te sentir.

Fecho os olhos e sono começa a seduzir-me lentamente.

Estou contigo ao meu lado!

O teu forte palpitar, o teu terno calor nos meus braços... sonhos que me embalam até acordar.

Perdido em ti, perdido em nós...

Perdidos no meu mundo.

PM


Dreamcatcher.

Sonhos... expectativas...

Nasci numa noite de tempestade, raiva dos deuses loucos...
Mais um sonhador caía ao mundo, mais um condenado á desilusão e ao desespero. Mais um pedaço de céu...

Não... não me arrependo das visões que não se concretizam, dos projectos que vejo cair, e das realidades que quase chegam a ser. Ao invés disso apanho sonhos e em cada um deposito uma esperança, uma faísca á espera da combustão e da velocidade da realização.

Depois existem aqueles que sobem no alto, aqueles sonhos que além de realidades formadas conseguem tocar os outros, ser mais que parte de mim... balões de hélio largados corajosamente no horizonte.
Aqueles que florescem e ecoam a minha alma fragmentada!

Agradeço a loucura em mim servida, a beleza do imaginário que passo e ultrapasso, a esperança que se rejuvenesce na alvorada de amizades que me suportam... que suporto também.
Saudades avassaladoras engolidas no desejo do amanhã.


Idiota desde 1990 , Idiota para uma vida. PM

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Insanidades


A voz da minha loucura ecoa nas paredes.

Sinto-a nos livros que me observam e nas estantes que me apertam o espaço na biblioteca.

Todo eu sou loucura, nela estou contido, a ela sirvo.

Não com esta impotência desalmada... tenho controlo nos meus limites , nas minhas capacidades mas ela chama-me sedutora, serpenteando a minha mente e testando-me.

Quebro os limites e ela atormenta-me...

Que queres de mim ? - pergunto-lhe

Não me responde, deixa-me a falar sozinho como louco abandonado.

Já nem a minha loucura me faz caso, já está tão em mim que responder-me seria inútil e perderia todo sentido, toda a essência de razão que ainda lhe resta.

Rasgada pelo chão olho a sanidade, a que outrora dominava está agora num canto escuro submissa. A linha ténue esbateu-se de tal forma e força....

Não quero perder-me na loucura apenas retirar o melhor dela antes que ela retire o melhor de mim... Constante batalha.

O que seria a vida sem a dose de loucura ? Ávida loucura....

Restos é tudo o que sobra da sanidade de outrora.

sábado, 28 de maio de 2011

Honestidade


Temo de morte escrever...
Por cada palavra debitada dou mais de mim do que quero dar, por cada sentimento explicado perco peças que deixo para trás.
Fragmentos de mim que ecoam para fora do corpo e ficam nus e despidos perante vós.
Sinto-me incompleto... pois nao sei a vossa agenda, não sei que fazem aos poucos de mim que levam e mantêm reféns.
Diluído por mais do que podia imaginar ,temo que me percebam.
Pior que não ser compreendido é a maldade de ser compreendido por todos, a crueldade de sentir as vozes do mundo perante o meu lado negro ... sempre exposto.
Cada fragmento de mim transformado em arma.
Engulo esta realidade, prendo-me mais um pouco ao surreal.
Acho que a beleza de tudo está na liberdade de sentir e mostrar.
O ser mais que uma simples pessoa, o ter a coragem de sentir mais e mais até que saiba a pouco. Até que se esgote a chama em mim !
Liberto a minha essência sobre vós,
se mais tarde me arrepender derramado... sentirei o orgulho de ter tentado.


sexta-feira, 27 de maio de 2011

Cores


Este é um mundo de cinzentos e tons negros, onde procuramos salpicos de cor.
Peço-te, espero e desespero!
Pinta-me o amor na pele e faz-me sorrir com a alma, deixa-me sem ar nessa tua beleza intocada e imperfeita que me completa.
Espíritos nómadas somos nós... Escolhemos o mundo ao amor e agora sofremos cada segundo de distância, cada peça do puzzle que deixamos para trás.
Cada pouco de nós que se auto-destrói neste desejo incompreendido.
O universo finge compreender mas confunde-nos com escolhas sem resposta, com caminhos ambíguos em que por mero acaso se pode perder tudo.
Tento voltar atrás escolher-te a ti e procuro a felicidade no incerto, a raridade de uma segunda oportunidade nesta vida que improvisamos a passos largos.
Sorri e tem coragem, sei que muitos morrem incompletos mas não te deixaria morrer assim.
Num mundo de crenças perdidas só com a esperança podemos colorir a tela negra.
Lembro o doce dos teus lábios, vermelho proibido... o tom suave da tua pele que me abraçou e o verde dos teus olhos que me enganaram e fizeram amar.
Deixa-me, novamente perder o norte em ti, tira-me a razão que de pouco me serve e rasga-a com a força do teu calor junto ao meu.
Esta noite futura, este desejo de tortura é o que nos impulsiona este quadro surrealista.
O saciar-me completamente em ti.

Livre do mundo.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Crenças


Perdi-te nas palavras árduas que lançaste.
Acusas-me descaradamente de erros que cometes em relação a quem te apetece e projectas o ódio de ti mesma em mim. O fogo e a paixão perdem-se na tua insegurança desenhada pelos que dizes confiar.
Enquanto a cegueira nessa doutrina imaginária te toma abano a bandeira branca.
Que argumentos queres face á estupidez inerente as tuas palavras ?
Mais factos ?
Nem a maior verdade abre os olhos a quem não quer ver, e tu não queres ver. Não me podes culpar da tua decisão e do que buraco que cais sozinha.
Cospes na mão que te segura, mas ela vai continuar cá aberta, só tu a podes agarrar...
Mais que isso pede aos deuses, a minha deusa eras tu e hipocritamente percebo o erro da minha ignorância, da minha falsa fé.
Espero que a dor seja branda contigo.
O mundo vai cair mais e mais, o levantar só vai ficar mais difícil.
Passas de alma gémea a dor comum, a desilusão banal.
Será que alguma vez foste melhor que isso ou sonhei-te na minha fértil esperança? A mesma que agora te dizes atraiçoar.


Depois de tudo, nada mais consigo explicar.
A nossa felicidade bem construída nao seria tão facil de abalar...
PM

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Cesse o desejo


Sob a luz ténue das estrelas suplico o teu olhar.
Nesta imensidão de céu aberto, estou condenado a desejar-te mais e mais, a querer que me consumas para que possa consumir-te, e a que nos esgotemos a essência um ao outro.
Condenado a amar quem não me quer ou a quem me quer demais!
Constante a alucinação assombrosa do looping final.
Não quero o fim do sentir, apenas do sentir por ti. Quero a liberdade e o orgulho abdicados em vão, quero finalmente sair da tua sombra e ser mais que uma réstia do cachorro que fui.
Difícil a tarefa de amar, corajosos os que conseguem acreditar.
Eu apenas desejo cessar de te desejar.

crown


A lua cheia desperta-me.

Olho pela janela da torre de betão que me confina.

Não me sinto em casa, não me sinto bem mas também lá fora não me atrai. O luar entra pela janela e seduz-me o olhar, na mesa de cabeceira de vidro os papeis brilham em sua resposta.

Penso nas estrelas, no mar, no teu corpo. Fico mais calmo mas não quero voltar a dormir, o mundo dos sonhos já não me satisfaz... pelo contrário, tortura-me com o pesar que a tua falta me vai causar.

Perdido deambulo pelo chão envernizado pela tormenta e procuro um sinal de vida humano no palácio que começa a esfriar. Esta coleira de forças emocional não deixa réstias de razão, preciso de fugir! Eles vão chegar com a madrugada, sabes que sempre me quiseram destronar.

Há tipos e tipos de amar, porque teria de ficar pelo consumo máximo e irracional?

Continuo para o jardim e abro a porta, a noite sorri-me como a um lobo perdido e solitário nos seus últimos dias.

Não temo o caminho que tenho de tomar, não baixo a cabeça para hesitar, mas sem amor, fico-me apenas pelo gritar abafado pelo mundo.

E se me apaixonar entretanto e já não te conseguir esperar?

E se não me perdoares?

Fumo a solidão, calo esta voz que me atormenta dos sonhos até ao acordar.

A luz no palácio acende-se e ouço vozes! Vieram para me enterrar, para reclamarem a coroa que ousei tomar como minha.

Fujo para o bosque, espero que me possam perdoar, mas a coragem de desistir de amar não deve ser punida com essa exactidão, com esse preto e branco que me pintam. Sabes que não deixarei a morte me apanhar...

A natureza recebe-me, ela compreende-me e no seu caos intenso ela acolhe o meu pensar.

Atiro a coroa para o chão, reluz face á luz do luar e pisca-me o olho. Desapareço na imensidão, um dia volto para reinar.

Volto para te buscar.

Reis


A sala de reuniões no palacete cheirava a um incenso pesado e a café. Dirijo-me á janela, tentando fugir do incenso que me sufoca o ar.

Estás 10 minutos atrasada como de costume; aproveito o tempo para apreciar o café e despertar a mente naquele campo que se estende para lá da janela. Sei que combinamos não fazer grandes filmes na nossa reunião, mas deixas me acordado a sonhar que queres ? A preocupação não cessa com a cabeça, está no campo do sentir, do amar.

Tocas me no ombro e assusto-me.

“Pensavas em quê?” – perguntas desconfiada.

“A minha cabeça contempla sítios que não quererias visitar.” – respondo tentando não ser transparente a esse verde cansado do teu olhar.

“Tenta me um dia.” – desafias-me.

“Nem todo o tempo do mundo chegava para te deixar entrar.” – mostro-te o ressentimento de teres desparecido há anos, sem rasto do meu radar.

“No entanto cá estamos no mesmo lugar, senti saudades tuas.” – beijas me docemente no rosto.

“Que precisas?” – respondo travando o sentimento de te levar pelo mundo e esquecer tudo.

“Precisava de te ver só isso, sabes que apesar de tudo és o único capaz de me acalmar, não te chamei família durante anos só para te cravar!”

“Desta vez quem ficou lamechas foste tu.” – replico num um sorriso.

Passeamos pelo jardim, contas me as tuas novas aventuras, e sinto-me num conto de fadas, vejo que o mundo te deixou cansada mas não perdeste a chama que sempre me atraiu, a essência do teu ser num simples olhar.

Ignoro as marcas que a vida te deixou no corpo e lembro-me de quando éramos felizes, de quando partilhávamos o palácio e manchava-mos o jardim com a inocência do nosso agir.

“ Sabes que nascemos reis ?” – perguntas me antes de partir novamente.

Deixas-me envolto em pó, mais uma vez sem saber quando o vento te trás de volta e me dá esse prazer de te recordar e acompanhar.

Só hoje, 2 anos depois percebi o que querias dizer. Reis na nossa cumplicidade, unidos pela maneira de voar.

Perdidos num mundo que não nos compreende e como herança a propensão para uma loucura que combatemos a cada acto de pensar.

Que a sorte te acompanhe, porque tudo o resto ja nos falhou.


Banco de jardim


Chego ao jardim e vejo-te ao longe, rouba-me o ar esta tua visão, e tento recuperar.

Sento-me ao teu lado, naquele jardim frio e abandonado.

A chuva cai-me na cara mas sorris me com uma doçura que me aquece e aconchega. Tocas-me de leve na mão e voltas a olhar o vazio.

“Estiveste a chorar?” – pergunto-te baixinho.

“Consegues olhar-me nos olhos e dizer-me que és feliz, sem hesitar?” – replicas.

“Ninguém é feliz sempre.. “ – segredo-te bem junto do ouvido.

“Então... eu choro com a natureza” - dizes apontando para a chuva.

Desta vez olhas para mim e perco-me nesses olhos, rasgados pela dor das lágrimas que deixaste correr, o verde gasto pelo mundo que te contêm.

“Não percas a motivação, não conseguia viver sem ti sabes disso”- confesso

“ Estamos a ficar lamechas .” – dizes enquanto limpas os olhos e me abraças.

Perdido no teu calor perdi a noção do tempo e ao fim de segundos que souberam a pouco dizes me que me amas. Sei que me mentes, que nem te amas a ti mesma, que não consegues por mais que tentes.

“Sabes que o vento me leva o espírito a cada passo em falso.” – dizes me querendo voar.

“ Agarra-te a mim então, não te deixarei desaparecer! ” – tento em vão proteger-te

“Nada é infinito, e por mais que me tentes sabes que não consigo ficar sem te consumir aos poucos.” – respondes e desta vez sou eu que choro.

Limpas-me o rosto e beijas-me. Fecho os olhos na tentativa de manter este momento no meu coração.

Abro os olhos e já não estas aqui.

O vento sopra-me o doce som da tua voz num grito de “até um dia”.

Paixão consumida na brisa de um inverno que ameaçava chegar. De coração gelado bafejo no cigarro e deixo a loucura contida naquele banco de jardim.



terça-feira, 10 de maio de 2011

words


Tento compensar a ausência.
Inspiro a beleza lisboeta que me entra pela janela.
Falo contigo mas não me respondes, já á algum tempo que acho que nem estas ai, olhas me de rasgão do canto do quarto mas já finges nem me ver...
Fumo mais um pouco, tento que fales ou desapareças de vez, talvez não me sentisse tão mal e tão sozinho se não te visse sempre comigo.
Consciência muda que me atormenta mais do que quando falava.
Tormenta eterna que desejo ouvir.
Musa que me deixas sem respirar!
Calo-me, as luzes contemplam a minha loucura comigo. A força voraz que me consome é compreendida pelos astros á minha volta. Sou uno com ela.
Continuas ao canto mas ja me mostras a língua.
Sei que um dia voltarás para mim fiel grilo falante.
Fiel voz da minha existência.
Beso

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Flash


"Vocês vivem muito rápido meus filhos" - diz a minha avó.
Se tu soubesses a velocidade a que as coisas às vezes parecem andar na minha vida avó... espantaria a tua alma inocente, mas mostras-te sábia nos teus conselhos!
Não andamos nós ao ritmo alucinante da luz? Sentimos tudo em minutos, segundos até!
Rapidamente voam conversas nesta geração de relacionamentos e encontros efémeros!
Saídas que acontecem a uma rapidez alucinante com pessoas que, como nós, vivem a este ritmo extenuante! Vivemos para as noites que não recordamos, com aqueles que não queremos saber, ou mal nos conhecem.
Sexo sem rosto, sem nome.
Tudo acontece num momento, e no outro acaba!